sexta-feira, 29 de abril de 2011

Contrastes e alguns problemas

Uma outra coisa a se notar neste país são os contrastes, podemos observar nas ruas carros caríssimos e outros bem antigos e velhos, mansões maravilhosas e casas tão simples e em um mesmo bairro. Há também muitas Universidades boas e baratas tivemos até a oportunidade de visitar uma e fazer amizades entre os universitários. Eles são gente boa. O custo de vida também é extremamente baixo e por isso encontramos muitos brasileiros cursando faculdade aqui. Um real, dependendo do dia poderá valer 3,5 ou 4 bolivianos ou 4 pesos como queiram chamar. Enquanto o tempo se passava observei um problema que estava acontecendo. O açúcar estavaem falta neste país, o kilo estava muitas vezes saindo a 8 bolivianos. Não havia açúcar nos mercados e as vezes no meio da rua encontrávamos carros que traziam açúcar diretamente das distribuidoras. Recordei do período em que no Brasil tínhamos falta de leite e tínhamos que enfrentar filas e lugares específicos para comprar. Bolívia viveu este tempo. Estavam com falta de açúcar e cimento, porém o açúcar é mais preocupante, pois usávamos diariamente. Apesar de tudo isso tudo se normalizou e agora já achamos açúcar nos supermercados. Outro problema que enfrentamos foi a greve de ônibus que durou mais de duas semanas e prejudicou muito as pessoas. Elas tinham que pegar transporte alternativo. Depois de muita discussão a situação se normalizou. Graças a Deus.

Um pouco sobre a Bolívia

As aulas de espanhol terminaram e começamos aula de cultura Boliviana, Começamos a entender um pouquinho desse país. Bolívia tem 9 estados os quais são chamados de departamentos: Santa Cruz, Potosi, Benin, Cochabamba, La Paz, Tarija, Chuquisaca, Oruro, Pando. E tem vários idiomas, entre eles: Castellano, Quéchua, Aymara, Guarani e outros. A religião predominante é o catolicismo, contudo há muitas crenças indígenas e especificamente adoração a chamada Pachamama (Mãe terra). Conta-se entre os bolivianos que no dia de sua posse, o atual presidente Evo Morales fez uma oferenda a Pachamama, em suas mãos estava um coração, alguns dizem que era o coração de um bebê, outros dizem que era o coração de uma llama, animal típico da Bolívia, porém o que nos chama atenção é o significado deste ato: Segundo eles este coração significava o coração da Bolívia a Pachamama. Desde então o rio tem secado, a terra tem se tornado infértil, Montanhas tem desmoronado e catástrofes naturais tem acontecido. Um dos últimos acontecimentos foi o que ocorreu na cidade de La Paz, a montanha desmoronou atingindo mais de 9.000 mil pessoas. Não temos nem ao certo o numero de mortos. Além de tudo isso pude observar uma coisa: o quanto essa população é racista com os próprios de sua casa. A população é dividida em várias etnias, entretanto duas são as mais faladas, e que também se atacam. Estas são: os Cambas e Colhas. Segundo os bolivianos foi instituída uma lei pelo atual presidente na qual na rua não podemos dizer esta ou aquela pessoa é Colha, pois se fizer isto, você estará tomando uma atitude racista, discriminando aquela pessoa e pode até ser preso. Contudo eles conhecem suas características e muitas vezes acabam se discriminando. Nas ruas sempre vemos uma boliviana vestida com suas roupas típicas e de longe reconhecemos que pertence a etnia colha. Acho muito interessante como elas carregam seus filhos nas costas. Estas são mulheres guerreiras viu e muito, mas muito trabalhadoras. Bom, tive contato e fiz amizades com todos, e para mim todos são maravilhosos. Eles simplesmente são muito amáveis.

Saída e Chegada a Santa Cruz de La Sierra Bolívia

Ah! Não posso deixar de contar, minutos antes de sair do Brasil. No aeroporto, no decorrer do caminho em direção ao portão 23, encontramos vários indianos sentados do lado direito do corredor, foi show. Lembrei do sonho que tive nesse mesmo dia com a Índia. Em seguida, mais a frente, do lado esquerdo estavam uns 5 árabes. Os meninos ficaram doidinhos para tirar foto. Então chamaram o André que fala inglês e ele pediu para tirar uma foto, mas os muçulmanos não permitiram. Ahahahaha.
Depois de alguns atrasos finalmente entramos no avião. Estava sendo uma aventura, eu não estava eufórica ou ansiosa, apenas era como se estivesse indo para algum lugar do Brasil. Algumas horas de viagem se passaram e em fim chegamos a Santa Cruz de La Sierra – Bolívia dia 10 de Dezembro de 2010.
Tivemos problemas com os nossos vistos, mas tudo foi resolvido. Graças a Deus. No dia 11/12/10 a tarde fomos para Normandia, um bairro carente de Santa Cruz de La Sierra.
Pegamos o micro, um pequeno ônibus que faz jus ao seu nome, pois é pequeno mesmo e engraçadinho.
Para mim que sou pequena não teve problema, até consigo pegar no teto, porém para aqueles que são altos era difícil, pois ficavam com suas cabeças tortas e o pescoço deles doía. O custo da passagem é de um peso para estudantes e 1.50 o normal. Ao chegarmos a Normandia olhava para as casas e as ruas que eram somente areia, fiquei pensando o quanto era parecido com o interior do Pará, minha querida terra. Andamos, andamos e andamos até chegarmos à igreja da pastora Mirian Igreja Batista Shalon. Tía Mí, (pastora Mirian) como é chamada estava realizando um trabalho social que é feito de 2 em 2 meses. Haviam 2 dentistas, e o Boni foi cortar o cabelo das crianças. Fiquei impressionada ao ver tantas crianças.
Ao entrar fiquei na igreja e olhei aqueles pequenininhos, queria falar e fazer alguma coisa, mas não conseguia comunicar-me, era meu segundo dia na Bolívia. Bem que tentei, mas num deu. E foi-se o segundo dia.Os dias se passaram, nos organizamos e logo iniciamos nossas primeiras aulas de espanhol com o professor Victor, um nacional bastante esforçado. Dediquei-me ao máximo que podia, queria logo falar espanhol para assim poder comunicar-me com as pessoas. Nos primeiros dias saímos conhecemos a cidade de Santa Cruz, aprendemos a fazer chamadas para o Brasil. Olhava para as ruas, árvores, plantas e senti o clima tudo era muito parecido com o Pará, por isso não estranhei tanto o país. Só sabia que estava em outro país quando as pessoas falavam, porém fui me adaptando aos poucos. Passamos o Natal e Ano Novo juntos, foi bem interessante. Ainda conhecemos uma igreja chamada El taller Del Maestro e começamos a fazer amizades lá. Assistir o culto ainda era difícil, pois não sabíamos o espanhol e nossos ouvidos não estavam acostumados.
Além dos estudos de espanhol, começamos também a sair pelas ruas de nosso bairro orando para que Deus salvasse as família, nos desse almas e também para que Ele trouxesse segurança para o bairro etc. Nossas orações foram respondidas e duas pessoas aceitaram a Cristo. Lucas e Jorge que pregaram a palavra de Deus a elas, estavam radiantes de tanta felicidade.
Dia 27 de janeiro chegou. Meu aniversário em outro país. Agradeci ao Senhor pela oportunidade que concedeu-me.